Companhia do Chapitô

Filosofia

Acreditamos que é preciso estabelecer comunicação entre o cérebro que cria e analisa e o corpo que executa: um corpo-ferramenta. O trabalho que desenvolvemos faz uso das forças vivas do ser humano e decorre de um sistema de comunicação livre.

O processo criativo é o mais importante na elaboração dos espectáculos, partindo sempre de um trabalho colectivo, que integra toda a equipa: actores, músicos, produtores, luminotécnicos, cenógrafos e figurinistas.

O corpo do actor é o ponto de partida da cena e mesmo da fala, na medida em que o ritmo, a frase, a voz são concebidos como gestos expressivos.

O “gesto” enquanto escrita cénica baseada na expressividade e na dinâmica do corpo do actor comunica a partir de uma escrita do espaço (movimento), assim como do tempo (palavra), criando um todo harmonioso.

Privilegiamos um espaço, em constante transformação, habitado por um jogo conjugado de volumes móveis e sons, em que o uso de objectos é uma das formas de desafiar a imaginação dos espectadores, através das novas funções que se lhes atribui.

Qualquer elemento pode ser objecto de dramatização, o despojamento da cenografia, permite também, apresentar os nossos espectáculos em outros palcos fora e dentro do país.

A escolha de textos e autores clássicos, é para nós um trampolim para a criatividade, a sua reinterpretação, permite-nos jogar sem preconceitos com todas as referências do mundo ocidental, através de novas soluções plásticas e expressivas: sem intriga nem personagens claramente definidas, a criação começa e termina com o jogo, em que o absurdo é usado como princípio estrutural para reflectir o caos universal.

Influenciado pela Commedia dell’ Arte, e fazendo uso das técnicas de Clown, todo o trabalho da companhia gera uma atmosfera de confiança e comunicação, que envolve o público e o leva a participar, a rir, a entrar no jogo, e embora o riso não goze, ainda hoje, do prestígio que merece, provocá-lo é para nós fundamental, pela dimensão crítica que suscita – o espectador deve interpretar com liberdade e fantasia.